terça-feira, agosto 07, 2007

Interpol - Antics

Uma audição deste fabuloso album e ficamos com a impressão de um rock mais dado aos sentimentos e a histórias talvez passadas com algum de nós. A música é mesmo assim. Cada um exprime-se, conta o desamor, pede o amor, chora, grita ao som de guitarras, tentam transmitir os sentimentos pelas notas delirantes e harmoniosas.
Ouvimos as músicas, pensamos, sonhamos, tentamos tirar explicações com algo que tenhamos passado, mesmo noutra vida. Encontramos uma paz, arrepiamo-nos, ouve-se o silêncio e aplaude-se.
Cinco estrelas. Adorei.
O ano 2004 num flash

Vou só falar aqui dos concertos que fui. Uma breve descrição do que vivi (foi real!) a experiência em primeira pessoa!



Mogwai - 06.02.04 Hard Club a abarrotar, grande ambiente, muita "freakalhada", cerveja, calor, ruído. Enquanto esperava fora da casa de banho pelo Bruno vou olhando em volta e aperceber-me que o local era do melhor para grandes concertos. Começa o concerto e começa a viagem pelos melhores momentos que tive em 2004. Gostava de ter tudo gravado em cassete para mais tarde recordar. Infelizmente deixo tudo na memória o que é desgosto para mim pois adorava mostrar aos interessados o que eu passei. Estava extasiado, ao contrário de quem me rodeava que se limitava a mexer a cabeça. Aquilo pra mim era pouco; tinha de saltar e libertar-me! O Eduardo (grande gajo) tava ao meu lado sempre oportunista pra mandar aqueles berros antes da música começar (do tipo "WOOW"). Perdi-me completamente com "Killing all the flies", "2 Rights make 1 Wrong" ou mesmo "Christmas Steps", que forraram de qualidade um espectáculo sentido por quem o soube absorver. Um crescendo habitual de qual não me canso, pois a nossa vida é mesmo assim.

Mono - 26.03.04 Ainda dizem que os foguetes fazem grande barulho. Fui com o Américo em direcção à Ribeira do Porto. Entre o degredo, a droga, a escuridão, a sujidade (melhor descrição possível) que escondida nas ruelas tomavam o medo e a vontade de chegar ao "O Meu Mercedes é Maior Que o Teu" ou simplesmente "Mercedes". Lá estava ele, escondido como qualquer estabelecimento que por ali se tentava mostrar. Acreditem que foi difícil descobrir, não fosse a tal intuição de seguir "uns gajos" que por acaso nem sabiam onde era o "Mercedes". Mas lá está! Onde há barulho há pessoas. Entramos no tal bar, dirigimo-nos ao andar de cima onde estava o Filipe com a malta da terra a guardar o lugar. Nunca tinha visto tal coisa. Um bar montado numa antiga igreja. Com o ambiente que eu gosto: acolhedor, média-luz, pessoal simpático. Estavamos na parte do coro (se ainda fosse igreja). Os padres estavam atrasados. Esperamos à luz de conversas, de novas amizades. Até que chegou a altura. Eles subiram ao palco e eis que confirmei que os gajos eram mesmo "olhos em bico". A baixista era bem constituida, faz-me lembrar a chinesa Lucy Liu da série "Ally McBeal". É. Mesmo uma brasa. Aparte disso foi dos concertos mais destruidores que assisti. Ainda temi pela "varanda" onde me encontrava cedesse a tamanhos décibeis projectados com toda a violência para o público, através das cordas. Quem os conhece e quem os conheceu notou grande diferença do gravado em estúdio para o "ao vivo". O "Mercedes" deve ter pago um extra por eles terem assustado todos os ratos da ribeira e por terem limpo o pó que há muito se acumulara. Eu vi bocados do tecto a cairem!!! Não, não estava louco. Acabei por aceitar que foi grande concerto pois a música "bateu" bem lá no fundo, onde muitas só chegam a roçar.

Múm - 05.05.04 De volta ao Teatro Sá da Bandeira, esperava um concerto algo calmo, tal como a própria música impinge com todos aqueles sons electronicamente mirabulantes, cozinhados com vozes angélicas arrepiantes, com trompetes, serras tocadas com arcos de crina de cavalo, violinos, diversos instrumentos que desconhecia. Foi uma noite mágica, algo fascinante.
A primeira parte foi feita com grande estilo por "Malcolm Middletown". O gajo metia o público na mão só com a simpatia que demonstrava. Alguém que sabe dar um toque de humor na própria música! Ainda assistimos à reentrada deste SENHOR para tocar com os Múm. Quem me dera...

Explosions In The Sky - 07.05.04 Blá-Blá Pouco sabia deles, como eram, de onde vinham. Só depois reflecti mal eles subiram ao palco. Eram os gajos que estavam sentados no corredor que dava acesso à casa de banho. E eu a pensar "estes ainda me vão assaltar". Têm (ou tinham) barba grande, t-shirts justas, aspecto de quem não descansa há muito tempo. Estava uma casa animada. A discoteca era bastante "cara": 1 vodka = €4??? Se soubesse levava a garrafa lá pra dentro. E tinham que me pagar pela animação que iria dar! Enfim... quanto mais pobres, mais sofremos...
Tava com o grande Pirro-san impaciente à espera que tudo começasse. A música até nem era má. Entre Beck, Bush, Jamiroquai ainda roía as unhas e dava umas voltas para tentar disfarçar aquele nervoso miudinho que crescia. Tinha todos os CD's editados pelos EITS até ao momento e não queria perder aquele concerto por nada neste mundo. Ainda meio ressacado de Múm, dei aqueles €14 como um investimento dos mais rentáveis.
Passava da 01:00 da matina e eu já me passava. Até que começa o tão esperado concerto. Se bem me lembro abriram com a "Your Hand In Mine". Fiquei possuido pelos acordes belos que caracterizam esta grande banda. O concerto durou cerca de 50 minutos pelo que fiquei bastante desiludido. Ainda ajudei nas palmas a pedir o regresso. Infelizmente só voltou um elemento a dizer que estavam cansados e que acabaca ali a breve noite. Desde já deixo isto patente: ELES FICAM A DEVER UM CONCERTO!

Estes concertos serão perpetuamente gravados para nunca mais esquecer. Foi um ano bem aproveitado, para o tempo que tenho disponível. Vamos ver o que 2005 nos vai revelar!
A todos os amigos e colegas que acompanharam estas noites, mando um abraço ou um beijo. Mais noites destas espero, até ser velhinho.

Take care!

"Muse" e abuse

Sem dúvida nenhuma, um grande grupo, que vai marcar gerações. Tenho um concerto ao vivo em Itália e confesso que fiquei arrepiado!
Não vou perder a oportunidade de ir a um concerto se eles vierem a Portugal, tal como muitos de vocês não perdia uma oportunidade destas! A crítica vem brevemente...

Feeling good

Em duas audições diferentes, ouvi duas versões que adorei. Uma versão no album "Origin of Symmetry" dos Muse, e outra pelos Eels, no albúm "Oh what a beautiful morning". Pesquisei na internet (afinal é o recurso mais rico) e descobri que em 15 de Janeiro de 1965, Nina Simone, cantora de "blues" gravou este tema. São registos preciosos que estão a ser redesenhados. Para quem pensa (incluindo eu) que conhece muito sobre música, está bem enganado! Duas vidas chegarão para explorar esta "rede" muito extensa? Creio que é pouco...
Vou continuar na minha rota, com as audições do meu tempo e marcar no calendário a saída dos novos albúns como sempre. Vou tentar não explorar muito o que está para trás (antes de 1978) ou sei que me vou arrepender.

Teoria: A música é uma droga. Classifica-se, experimenta-se, gosta-se, desgosta-se. Estamos sempre a experimentar uma nova, quase todos os dias. Temos "dealers" com uma vasta montra. O preço varia de um para outro. Até chegar a nós, a droga é inflacionada. Tenho razão???

Mesmo assim vou experimentar uma droga antiga... Tal como o nome diz: FEELING GOOD

terça-feira, janeiro 09, 2007

Novas audições

The Evpatoria Report - Golevka

Situada num Post Rock instrumental e com traços de Mogwai, evidenciado em "Cosmic Call", não deixam de ter o seu canto musical. Os violinos presentes recordam um "Yndi Halda" terno, afogado em nostalgia e transfere-nos para momentos pensativos. É uma pequena crítica baseada na atenção que dei. É a melhor maneira de distinguir o que é bom, quando paramos tudo e só a música importa, pois eleva-se a tudo. Talvez tenham posto os pés no mesmo charco onde muitos permanecem, com uma bandeira branca. Ou o milagre aconteceu e caminham sobre a água, como um nazareno o fez antes.
Mas isto é a crítica da primeira audição feita. Ora, uma segunda crítica sai agora com botas de borracha. Surge uma nova percepção da perfeição contida num albúm, quando a história é ouvida de início a fim sem interrupções percebe-se , um grande prazer em voltar a repetir a dose. Talvez por ter ouvido na integra quando atravessava montanhas mergulhadas no melancólico cinzento que governava os céus, por vezes um azul disfarçado entre o cinzento, ou um amarelo vindo da reflexão do sol nas nuvens de camadas altas. Aí, as sombras que os violinos arrastaram nunca obscureceram guitarras. Estranha combinação de imagem e som, "Perfeito!", diria.

September Malevolence - Tomorrow we'll wonder where this generation gets its priorities from

Tornaria a minha crítica repetitiva face a outras que fiz, para outras bandas. Esta merece mais um bom lugar. É tempo de perguntarmos "mas quando isto pára?", visto o número de bandas "pUD" estarem a surgir em pouco tempo, o pouco pra compreender a música de cada uma e poder fazer a minha crítica. Os September Malevolence são muito recentes nas audições que tomo neste quarto recatado. Para superarem o teste terão de ser tocadas por "vício" umas três vezes, podendo depois entrar na lista desejável, aquela que aglomera as bandas ditas "emo-post-ambiental-rock". Vai mais uma!


Day for Airstrikes - Secret Whales

Que há a dizer quando uma banda nos surpreende pela positiva? Nada. Ouve-se de novo. Um rock progressivo fugaz, rico em melodias e reforçado com vitaminas fazem um bom acordar. Dá prazer aumentar o volume e fechar os vidros do carro para que nenhuma nota se escape! Uma revelação e um sério ultimato a bons ouvidos. Caso geral, a boa música dura pouco, nestas recentes audições, bandas que se destacam com 3 ou 4 músicas, não mais. É claro que nenhuma delas tocará bem fundo como fizeram os Sigur Rós, há uns anos. Mas quando chegam perto do ouvido, rapidamente as adoptamos, e passam para o "special" minidisc, o topo da hierarquia, onde o espaço limita-se quando se escolhe ouvir qualidade em taxas de amostragem. Faria uma escala para cada uma das bandas, mas números são números, não expressam. Classificam. Cinco estrelas chegam.

OMR - Superheroes Crash

Hmmm... Hááá! HEHE! Ora lá está mais uma gelatina deliciosa! Ora o efeito psicadélico quando treme apressa-se a injectar curiosidade, música após música.
Esta banda tem acompanhado uma história interessante, ligada a conhecidos nomes do mundo da música alternativa, como se encontra na secção "Band" no sítio oficial. Deixem-se levar para longe, derretam-se e escorreguem pelos vales. Lá em baixo é tudo imenso. Vale uma compra.