quarta-feira, junho 07, 2006

Dresden Dolls



Aquele escuro da Casa das Artes pesou no cansaço e no sono que tinha. Houve uma performance de um gajo que tem boas ideias e muitos instrumentos únicos, tipo, uma roda de carrinho de bebé antiga, daquelas raiadas e prateadas, munida de pregos estrategicamente colocados que raspavam e faziam uma chincalhada rítmica, acompanhado da voz e da guitarra. Por azar o cabo de som estava f***do (pela expressão dele sai esta palavra) e teve a brilhante ideia de amplificá-la com o micro. Muito desenrascado... Um artista que pôs a vida em risco em plena actuação, depois de estar na varanda dos lugares "VIP" daquela sala, mas do lado onde ninguém com o perfeito juízo se atrevia a permanecer, mais ainda a tocar guitarra. Maluco. Se fosse eu, já estava internado, rodeado de paredes almofadadas. Ele é artista, grande diferença! Foi corrido do palco, por alguém do staff dos DD. Pouco sensiveis com o Thomas Trouax. Pôs um público em delírio e paga assim. Eis que então se acaba com brincadeira e entram em palco a dupla mais perfeita que conheço (no mundo da música). Amanda e Brian. Começaram pela simpatia e boa comunicação com o público. Tudo muito direitinho vindo do mimo e da boneca de meias às riscas pretas e brancas, ousados nos actos. Conversavam um com o outro e sentia-se no ar aquele "desejo" selvagem, como se os dois não conseguissem aguentar uma música sem se tocarem. Foi o primeiro concerto em que vi "sexo musical" pois foram feitos um para o outro, em composições onde não faltam letras ousadas, algo parecido saído do cabaret, com menos aparato e ornamento. Excitavam-se mutuamente sem discernimento, babavam-se e suavam, gritavam como loucos, paravam por momentos e partiam para mais uma. Foi a primeira vez que vi um entendimento perfeito em tudo. Voz, teclas e bateria. Tudo estava quente, depois de bons preliminares. O Brian partiu tudo em rasgados ataques, armado de baquetas a velocidades altas. PODEROSO! Tem momentos arrepiantes de ritmos, de ficar completamente pasmado e sem poder reagir a nada, enquanto aquele orgasmo dura. Os temas mais conhecidos foram todos cantados pelos dedicados seguidores das meias pretas e brancas, em Half JAck, Girl Anachronism, Good Day, Coin Operated Boy, Me & The Minibar. Houve quem delirasse tal como se via nos concertos dos Beatles. E para surpresa de todos, um tema composto quando viajava para cá, que vai baptizar como "Portugal Song"... pediu ao Brian que se retirasse durante a música. Agora era ela e o público... sentimos a intimidade que ela queria passar. Foi arrepiante e único ter ouvido pela primeira vez algo que nao tinha sido preparado nem ensaiado, e espero que venha novo albúm! Um extase incontrolável, pois foi uma oportunidade única de pagar €10 por uma queca musical, bolo, vinho branco, autógrafos e fotos com eles. Vão f**er a europa toda nesta Tour. Deviam cobrar mais pelo serviço, e receber pela publicidade do restaurante do Alex, que fizeram questão de falar pela boa comida. Memorável.

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