quarta-feira, junho 28, 2006
quinta-feira, junho 22, 2006
quarta-feira, junho 07, 2006
Dresden Dolls

Aquele escuro da Casa das Artes pesou no cansaço e no sono que tinha. Houve uma performance de um gajo que tem boas ideias e muitos instrumentos únicos, tipo, uma roda de carrinho de bebé antiga, daquelas raiadas e prateadas, munida de pregos estrategicamente colocados que raspavam e faziam uma chincalhada rítmica, acompanhado da voz e da guitarra. Por azar o cabo de som estava f***do (pela expressão dele sai esta palavra) e teve a brilhante ideia de amplificá-la com o micro. Muito desenrascado... Um artista que pôs a vida em risco em plena actuação, depois de estar na varanda dos lugares "VIP" daquela sala, mas do lado onde ninguém com o perfeito juízo se atrevia a permanecer, mais ainda a tocar guitarra. Maluco. Se fosse eu, já estava internado, rodeado de paredes almofadadas. Ele é artista, grande diferença! Foi corrido do palco, por alguém do staff dos DD. Pouco sensiveis com o Thomas Trouax. Pôs um público em delírio e paga assim. Eis que então se acaba com brincadeira e entram em palco a dupla mais perfeita que conheço (no mundo da música). Amanda e Brian. Começaram pela simpatia e boa comunicação com o público. Tudo muito direitinho vindo do mimo e da boneca de meias às riscas pretas e brancas, ousados nos actos. Conversavam um com o outro e sentia-se no ar aquele "desejo" selvagem, como se os dois não conseguissem aguentar uma música sem se tocarem. Foi o primeiro concerto em que vi "sexo musical" pois foram feitos um para o outro, em composições onde não faltam letras ousadas, algo parecido saído do cabaret, com menos aparato e ornamento. Excitavam-se mutuamente sem discernimento, babavam-se e suavam, gritavam como loucos, paravam por momentos e partiam para mais uma. Foi a primeira vez que vi um entendimento perfeito em tudo. Voz, teclas e bateria. Tudo estava quente, depois de bons preliminares. O Brian partiu tudo em rasgados ataques, armado de baquetas a velocidades altas. PODEROSO! Tem momentos arrepiantes de ritmos, de ficar completamente pasmado e sem poder reagir a nada, enquanto aquele orgasmo dura. Os temas mais conhecidos foram todos cantados pelos dedicados seguidores das meias pretas e brancas, em Half JAck, Girl Anachronism, Good Day, Coin Operated Boy, Me & The Minibar. Houve quem delirasse tal como se via nos concertos dos Beatles. E para surpresa de todos, um tema composto quando viajava para cá, que vai baptizar como "Portugal Song"... pediu ao Brian que se retirasse durante a música. Agora era ela e o público... sentimos a intimidade que ela queria passar. Foi arrepiante e único ter ouvido pela primeira vez algo que nao tinha sido preparado nem ensaiado, e espero que venha novo albúm! Um extase incontrolável, pois foi uma oportunidade única de pagar €10 por uma queca musical, bolo, vinho branco, autógrafos e fotos com eles. Vão f**er a europa toda nesta Tour. Deviam cobrar mais pelo serviço, e receber pela publicidade do restaurante do Alex, que fizeram questão de falar pela boa comida. Memorável.
uassurassacete!

Blog criado propositadamente para no ano 2030 pensar "Eu vivi isto?"
ENVY
"O capuchinho vermelho é traficante. A avó dava grandes riscos de coca, por isso tava na cama. Dizia que estava doente, quando estava a ressacar por outra dose". Não é a história contada às crianças (excepto Bairro S.Joao de Deus e Cova da Moura), mas pode ser a tradução da letra da "The Unknown Glow" dos Envy com a voz de Tetsuya Fukagawa, no seu mais recente álbum "Insomniac Doze", depois da participação em "I Chose Horses", do último álbum dos Mogwai - "Mr. Beast".
Já há opiniões a indiciarem como melhor álbum do ano. Depois de uma audição completa, tive um filme mental, acompanhando o ritmo e o arrepio; imaginem-se a remar numa canoa em paisagens únicas e belas, tal como o pôr-do-sol, a um ritmo lento. Há calma na leve ondulação do lago e as reflexões sao perfeitas. Repentinamente olhamos para baixo e o barco é outro, bastante veloz, e distinguimos pela acelerada guitarrada dos motores, e somos projectados a velocidades do som em direcção ao sol, onde ele torna a subir para o céu extenso. Voltamos a mergulhar o ritmo calmo da canoa e o sol dirige-se de novo para o ocaso. Para trás fica o eco das errádicas gotas de água levantadas pela confusão sonora, que caem dispersas.
É uma opinião vai de encontro a muitas outras: está EXCELENTE! Acrescento esta banda como "a ver ao vivo". Eles são feios, e saem dos piores personagens dos pesadelos que ja tive. Estes japoneses são mesmo assustadores. O vocalista é um bicho 4x2 metros e grita desalmadamente ao microfone, sabe-se lá o quê. Pode estar a gozar com a nossa cara de "ena altamente!" e nem nos apercebemos. Ainda dizemos "Ah, é o melhor do ano..." e eles nem se esforçaram. Por outro lado, eles nem fazem ideia da crítica que estou a escrever, e posso estar a dizer que eles têm cara de tansos. Disse algo parecido? Feios. Gosto deles. Não tenho nada contra , nem contra os outros povos orientais, nem mesmo contra o bambú, as algas, o chá, o sushi. VENHAM OS SAMURAIS, CARAGO! Os japoneses são bons. E neste emo-post-hard-rock superam muitos limites, mesmo o da lingua.
Digam lá: os chineses não pescam nada de música... Não há UMA banda ou artista chinês de jeito, tirando os que tocam pratos e triângulos... A repressão da ditadura é a causa? Alguém que mude o panorama e escreva em comentário uma banda chinesa. PAGO pra ouvir.
- WEG
Num formato menos tenebroso, muito incerto e enganador, igualmente melancólico, ( (Ten/4)+(cos(Inctz + Engan)^2) ouvem-se os (=) World's End Girlfriend (até o nome é triste), banhado de surpresas algo contrastantes. É como pegar no filme anterior e querer chorar a ponto de fazer subir o lago, e contrariamente mergulhar no remoinho que se cria como se removessemos a rolha que impede o lago de se esvaziar, por tão estranha melodia, por vezes incompreensível.
Tinham a nota 20 se seguissem o caminho das faixas "We are the massacre", "You" e "Listening you". Talvez daqui a uns anos compre um "Best of" caso exista... Não recomendada a audição durante estados depressivos.
Nota:
É difícil ser crítico de música quando não se consegue ser imparcial. E a música que gosto é de estados de espírito, de vivências, por pensar em pessoas, por serem aquelas sonoridades que ficam na cabeça e na lingua quase um dia inteiro (pessoas também :::::::). Primo pela variedade, desde que ela venha de encontro ao que preciso, como uns arrepios, ou estados positivos da mente e da alma. É uma droga dura. Alimenta a criatividade, a imaginação, por vezes a acalma. Imagino muitas coisas e deixo-me levar pelo som que recebo para produzir um filme com a duração da faixa. Um dos neurónios deve estar sentado numa cadeira de madeira e lona estampada com aquelas letras grossas "PRODUTOR E REALIZADOR". Bom trabalho de grupo. Mereciam oscares. A única maneira de lhes entregar é espetar a estatueta na cabeça. Era o famoso 2 em 1: reconhecer os merecedores e acabar com quem os destroi.
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