domingo, dezembro 24, 2006

Bom Natal

E de Paris vos mando esta mensagem. Aqui ta' frio como o car***lho.
Divirtam-se!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

299 792 458 m/s

Se um dia pudessemos partir à descoberta de novos planetas, cujo céu estrelado tivesse outra composição, poderia ser um que ficasse perto da nubelosa "M42". A imagem é fascinante e é muito fácil ser encontrada no céu, na constelação de "Orion".
Para os mais pacientes e observadores, fica um excelente programa para experimentar num portátil ao ar livre! Música aconselhada:
Brian Eno - Another Green World; Music for Airports (sugestivo =) )

sexta-feira, setembro 29, 2006

Fanfare Ciocarlia

É de homem tocar trombone. É de homem dominar um saxofone. É de homem estar com uma borracheira nos cornos e segurar-se em pé graças aos suportes dos microfones. É de homem saltar e dançar da forma que quer. Mais contagiantes que um H5N1, mais rápidos que um rocky MCMLXII, mais vistosos que o Alberto João Jardim num dia de carnaval, são estes 12 músicos e artistas da dança romena que receberam os meus euros com todo o gosto e deixaram quem gostou com uma bela recordação.
A interacção com o público era a melhor, extasiavam-se com os berros parecidos com os dos carrinhos de choque do S. João "uuuoooooooope!". Quando arranjei espaço para expressar o ritmo que provocava, foi a loucura. Uma fila de espera de mais de 4 elefantes esperavam a sua cervejinha morta produto de um aumento da produção para combater a seca de verão, distraiu-os dos preciosos bebedouros. A dançar lá fomos beber água. Deu para molhar a roupa e dançar em volta como se fosse um ritual de dádiva divina. Quanto? 2 euros a cerveja? O "staff" ri-se. De volta para a selva, só lhe faltava o pó no ar, não fosse um solo calcetado iamos comer pó, beber água e ouvir a fanfarra. Sinceramente não sei os nomes dos temas que ouvi, mas todos eles tinham a rapidez necessária para simular um trabalhador com um martelo pneumático. Isto durou, e durou. Até se irem embora de vez e terem aparecido do lado do palco com a mesma festa que semearam no palco. O normal português quer tocar. Levá-los para casa se possível. Foi uma desilusão ninguém ter percebido que eles queriam circular e que o "povo" os acompanhasse. A cobiça é tanta...
E vai mais uma fractura lombar!

terça-feira, setembro 12, 2006

Cartaz de Setembro

Natalia Gutman e Orquestra Nacional do Porto

A violoncelista Natalia Gutman, um dos maiores nomes da escola russa, regressa à companhia da Orquestra Nacional do Porto. O concerto está marcado para dia 17 de Setembro, na Casa da Música.

Rodrigo Leão
Mais uma sessão de "Cinema", desta vez em Barcelos. Em exibição está o último álbum de Rodrigo Leão, cirurgião de sons ou realizador de uma banda sonora para um delicioso filme imaginário. Está em cartaz no dia 22 de Setembro.

Vetiver (Porto)
Devendra Banhart e Andy Cabic. A junção destes dois nomes num projecto comum já é motivo suficiente para causar furor. Mas os Vetiver já provaram ser muito mais que uma potencial super banda. Essa prova surge renovada no seu mais recente suspiro de "freak folk", "To Find Me Gone". Vai estar em exibição em Lisboa, a 16 de Setembro, e no Porto, no dia seguinte.
in Publico

sexta-feira, setembro 01, 2006


Conseguem imaginar algo belo?
Estou entusiasmado. Braga pode vir a ser uma capital da cultura, paragem para muita gente arrastada pela música. Temos o Paulo Brandão, um pequeno dEUS capaz de trazer grupos impensáveis numa cidade de impossíveis. Será a catapulta que precisamos para esquecermos que Lisboa e Porto sempre foram preteridas como palcos para grandes concertos? Deposito muita confiança no trabalho dele, e como ele que surjam pessoas dinâmicas e com visão que ocupem esta pequena cidade.
Agora que o nome da cidade apareça em "negrito" com letras garrafais, com relevos em braile. Para ouvir...

quarta-feira, junho 07, 2006

Dresden Dolls



Aquele escuro da Casa das Artes pesou no cansaço e no sono que tinha. Houve uma performance de um gajo que tem boas ideias e muitos instrumentos únicos, tipo, uma roda de carrinho de bebé antiga, daquelas raiadas e prateadas, munida de pregos estrategicamente colocados que raspavam e faziam uma chincalhada rítmica, acompanhado da voz e da guitarra. Por azar o cabo de som estava f***do (pela expressão dele sai esta palavra) e teve a brilhante ideia de amplificá-la com o micro. Muito desenrascado... Um artista que pôs a vida em risco em plena actuação, depois de estar na varanda dos lugares "VIP" daquela sala, mas do lado onde ninguém com o perfeito juízo se atrevia a permanecer, mais ainda a tocar guitarra. Maluco. Se fosse eu, já estava internado, rodeado de paredes almofadadas. Ele é artista, grande diferença! Foi corrido do palco, por alguém do staff dos DD. Pouco sensiveis com o Thomas Trouax. Pôs um público em delírio e paga assim. Eis que então se acaba com brincadeira e entram em palco a dupla mais perfeita que conheço (no mundo da música). Amanda e Brian. Começaram pela simpatia e boa comunicação com o público. Tudo muito direitinho vindo do mimo e da boneca de meias às riscas pretas e brancas, ousados nos actos. Conversavam um com o outro e sentia-se no ar aquele "desejo" selvagem, como se os dois não conseguissem aguentar uma música sem se tocarem. Foi o primeiro concerto em que vi "sexo musical" pois foram feitos um para o outro, em composições onde não faltam letras ousadas, algo parecido saído do cabaret, com menos aparato e ornamento. Excitavam-se mutuamente sem discernimento, babavam-se e suavam, gritavam como loucos, paravam por momentos e partiam para mais uma. Foi a primeira vez que vi um entendimento perfeito em tudo. Voz, teclas e bateria. Tudo estava quente, depois de bons preliminares. O Brian partiu tudo em rasgados ataques, armado de baquetas a velocidades altas. PODEROSO! Tem momentos arrepiantes de ritmos, de ficar completamente pasmado e sem poder reagir a nada, enquanto aquele orgasmo dura. Os temas mais conhecidos foram todos cantados pelos dedicados seguidores das meias pretas e brancas, em Half JAck, Girl Anachronism, Good Day, Coin Operated Boy, Me & The Minibar. Houve quem delirasse tal como se via nos concertos dos Beatles. E para surpresa de todos, um tema composto quando viajava para cá, que vai baptizar como "Portugal Song"... pediu ao Brian que se retirasse durante a música. Agora era ela e o público... sentimos a intimidade que ela queria passar. Foi arrepiante e único ter ouvido pela primeira vez algo que nao tinha sido preparado nem ensaiado, e espero que venha novo albúm! Um extase incontrolável, pois foi uma oportunidade única de pagar €10 por uma queca musical, bolo, vinho branco, autógrafos e fotos com eles. Vão f**er a europa toda nesta Tour. Deviam cobrar mais pelo serviço, e receber pela publicidade do restaurante do Alex, que fizeram questão de falar pela boa comida. Memorável.

uassurassacete!


Blog criado propositadamente para no ano 2030 pensar "Eu vivi isto?"


ENVY
"O capuchinho vermelho é traficante. A avó dava grandes riscos de coca, por isso tava na cama. Dizia que estava doente, quando estava a ressacar por outra dose". Não é a história contada às crianças (excepto Bairro S.Joao de Deus e Cova da Moura), mas pode ser a tradução da letra da "The Unknown Glow" dos Envy com a voz de Tetsuya Fukagawa, no seu mais recente álbum "Insomniac Doze", depois da participação em "I Chose Horses", do último álbum dos Mogwai - "Mr. Beast".
Já há opiniões a indiciarem como melhor álbum do ano. Depois de uma audição completa, tive um filme mental, acompanhando o ritmo e o arrepio; imaginem-se a remar numa canoa em paisagens únicas e belas, tal como o pôr-do-sol, a um ritmo lento. Há calma na leve ondulação do lago e as reflexões sao perfeitas. Repentinamente olhamos para baixo e o barco é outro, bastante veloz, e distinguimos pela acelerada guitarrada dos motores, e somos projectados a velocidades do som em direcção ao sol, onde ele torna a subir para o céu extenso. Voltamos a mergulhar o ritmo calmo da canoa e o sol dirige-se de novo para o ocaso. Para trás fica o eco das errádicas gotas de água levantadas pela confusão sonora, que caem dispersas.
É uma opinião vai de encontro a muitas outras: está EXCELENTE! Acrescento esta banda como "a ver ao vivo". Eles são feios, e saem dos piores personagens dos pesadelos que ja tive. Estes japoneses são mesmo assustadores. O vocalista é um bicho 4x2 metros e grita desalmadamente ao microfone, sabe-se lá o quê. Pode estar a gozar com a nossa cara de "ena altamente!" e nem nos apercebemos. Ainda dizemos "Ah, é o melhor do ano..." e eles nem se esforçaram. Por outro lado, eles nem fazem ideia da crítica que estou a escrever, e posso estar a dizer que eles têm cara de tansos. Disse algo parecido? Feios. Gosto deles. Não tenho nada contra , nem contra os outros povos orientais, nem mesmo contra o bambú, as algas, o chá, o sushi. VENHAM OS SAMURAIS, CARAGO! Os japoneses são bons. E neste emo-post-hard-rock superam muitos limites, mesmo o da lingua.

Digam lá: os chineses não pescam nada de música... Não há UMA banda ou artista chinês de jeito, tirando os que tocam pratos e triângulos... A repressão da ditadura é a causa? Alguém que mude o panorama e escreva em comentário uma banda chinesa. PAGO pra ouvir.


- WEG
Num formato menos tenebroso, muito incerto e enganador, igualmente melancólico, ( (Ten/4)+(cos(Inctz + Engan)^2) ouvem-se os (=) World's End Girlfriend (até o nome é triste), banhado de surpresas algo contrastantes. É como pegar no filme anterior e querer chorar a ponto de fazer subir o lago, e contrariamente mergulhar no remoinho que se cria como se removessemos a rolha que impede o lago de se esvaziar, por tão estranha melodia, por vezes incompreensível.
Tinham a nota 20 se seguissem o caminho das faixas "We are the massacre", "You" e "Listening you". Talvez daqui a uns anos compre um "Best of" caso exista... Não recomendada a audição durante estados depressivos.

Nota:
É difícil ser crítico de música quando não se consegue ser imparcial. E a música que gosto é de estados de espírito, de vivências, por pensar em pessoas, por serem aquelas sonoridades que ficam na cabeça e na lingua quase um dia inteiro (pessoas também :::::::). Primo pela variedade, desde que ela venha de encontro ao que preciso, como uns arrepios, ou estados positivos da mente e da alma. É uma droga dura. Alimenta a criatividade, a imaginação, por vezes a acalma. Imagino muitas coisas e deixo-me levar pelo som que recebo para produzir um filme com a duração da faixa. Um dos neurónios deve estar sentado numa cadeira de madeira e lona estampada com aquelas letras grossas "PRODUTOR E REALIZADOR". Bom trabalho de grupo. Mereciam oscares. A única maneira de lhes entregar é espetar a estatueta na cabeça. Era o famoso 2 em 1: reconhecer os merecedores e acabar com quem os destroi.

quinta-feira, abril 20, 2006

Don't Look Back

Concerto no bar "o meu Mercedes". Domingo, 9 de Abril 2006.

Começa a barulheira, franceses destemidos e sem reparar que a assistência resumia-se a cerca de 40 pessoas, incluindo funcionários do bar. Destes 40, eu era um. Os €4 do bilhete pareciam voar depois da primeira música. Engane-se quem os comparar aos Mogwai ou Explosions. Estão longe deles mas perto da perfeição que procuravam. O último albúm, "Brighter", é a aproximação de um pós rock progressivo e um hard rock disfarçado. Explodem muito em palco, mas cagam para o público.
Avaliação do concerto: Boa a muito boa. Talvez o espaço fosse inspirador.

Teut, o baterista, em conversa após o concerto, depois de ter autografado o CD que comprei, deixou patente o rico inglês que ele domina. Gostei da resposta silenciosa e da cara atónita com que ficou depois das simples perguntas feitas por mim. Ou estava à espera de um autógrafo meu.